Veterinários alertam: silenciosa e traiçoeira, a hipertensão ameaça cães e gatos - Pet é pop
  • Veterinários alertam: silenciosa e traiçoeira, a hipertensão ameaça cães e gatos

    Na próxima sexta-feira, dia 26 de abril, é celebrado o Dia de Prevenção e Combate à Hipertensão. Para alertar donos de pets, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Espírito Santo fez uma publicação mostrando o quanto a hipertensão arterial é silenciosa e pode provocar danos irreversíveis em cães e gatos. O texto foi produzido pela médica veterinária Tatiana Sacchi.

     

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    A pressão arterial sistêmica é aquela que o sangue bombeado pelo coração exerce na parede das artérias durante o ciclo cardíaco, que é dividido em sístole (pressão máxima) e diástole (pressão mínima). Temperamento, idade, raça, condição física e nível de atividade são fatores que interferem fisiologicamente na pressão arterial.

    O organismo tende a manter a pressão equilibrada dentro de determinados valores, e ela varia também em situações diversas, conforme a demanda/exigência do organismo, como repouso, estresse e atividade física, por exemplo. Um indivíduo pode estar normotenso (pressão normal), hipotenso (pressão baixa) ou hipertenso (pressão alta).

    A hipertensão arterial sistêmica em cães e gatos, também conhecida como pressão alta, é uma realidade ainda frequentemente subdiagnosticada no dia a dia da clínica veterinária, pois o exame de mensuração da pressão arterial não costuma fazer parte da rotina da maioria dos clínicos veterinários. Fica grande parte das vezes restrita aos cardiologistas, nefrologistas e anestesistas veterinários.

    A hipertensão pode ser primária ou secundária, e algumas doenças crônicas predispõem à ela. Nos cães, as causas secundárias mais comuns são a doença renal crônica e o hiperadrenocorticismo. Nos gatos, são a doença renal crônica e o hipertiroidismo.

    Lembrando que, no caso da dupla doença renal e hipertensão, elas podem ser tanto causa como consequência, uma pode levar à outra e vice-versa. Fatores como obesidade, alimentação desbalanceada com muito sal e gordura, dor crônica, uso de alguns medicamentos podem influenciar e agravar o quadro.

    Assim como nos humanos, a hipertensão em cães e gatos costuma ser silenciosa e traiçoeira, permanecendo por períodos variáveis sem apresentar sintomas. Os animais hipertensos ou em crise hipertensiva podem apresentar dor na região da nuca ou em tórax sem motivo claro, alterações de comportamento, falta de ar, tontura, fraqueza, cansaço, dificuldade para enxergar, sangramento ocular ou nasal. Esses sinais podem ser difíceis de identificar por serem passageiros ou muito sutis.

    Ao longo do tempo, a hipertensão pode levar a doenças cardíacas, renais, oculares e cegueira súbita, doenças neurológicas e acidentes vasculares cerebrais.

    Com o aumento da expectativa de vida dos cães e gatos e, consequentemente, com o aparecimento de um número maior de animais idosos e com doenças crônicas, é preciso ter atenção redobrada em relação à hipertensão arterial.

    O diagnóstico é simples, realizado em ambulatório através da mensuração da pressão arterial com Doppler, que é o método mais comumente utilizado. Pode ser necessário fazer a mensuração mais de uma vez, em dias diferentes, para fechar o diagnóstico, pois fatores como medo e estresse podem afetar os resultados.

    O controle é feito através do tratamento da causa de base, medicamentos para baixar a pressão arterial, dieta e outras medidas que o médico veterinário julgar necessárias.

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