Com 6 milhões de deficientes visuais, Brasil tem apenas 100 cães-guia - Pet é pop
  • Com 6 milhões de deficientes visuais, Brasil tem apenas 100 cães-guia

    Cão-guia

    Hoje, dia 24 de abril, última quarta-feira do mês, comemora-se o Dia Internacional do Cão-Guia. Ele é muito mais do que o melhor amigo das pessoas com deficiência visual. No Brasil, de acordo com dados do Censo IBGE 2010, há mais de 6 milhões de pessoas com dificuldades para enxergar. Na cidade de São Paulo, cerca de 345 mil habitantes têm baixa visão ou são cegos. No entanto, o número de cães-guias no país ainda é muito baixo, pois sua cultura chegou por aqui apenas nos anos 1990.

    Proporcionar segurança na locomoção, independência, melhora do equilíbrio físico, emocional e na autoestima, além de promover socialização para seus usuários, são algumas das funções desses cachorros.

    A funcionária pública do Tribunal Regional do Trabalho Daniela Kovács, 39, começou a perder a visão há cerca de 13 anos. Num primeiro momento, Dani usava bengala para se deslocar, mas, com o tempo, ter um cão-guia se tornou um sonho. “Sempre achei que seria libertador, mas eu não sabia o quanto minha vida iria mudar”, diz.

    Daniela viajou, então, para os Estados Unidos, onde passou por um treinamento para receber seu primeiro cão-guia, chamado Basher. Eles ficaram juntos por oito anos. “Ter um cão-guia é um novo mundo, com muitas oportunidades. Ele aprende caminhos e é um fator de inclusão social muito importante”, afirma Daniela, que é advogada.

    Em 2017, o Basher precisou se aposentar – pois, acredite, ser cão-guia é profissão. Daniela foi novamente aos Estados Unidos e voltou com o Ollie, que a acompanha atualmente. “O Ollie me leva todos os dias ao trabalho de transporte público. Ele é um anjinho, muito calmo e esperto. É uma relação de muita confiança: dele em mim e minha nele”, orgulha-se.

    Para Daniela, a ampliação do acesso ao cão-guia no Brasil é urgente. Ainda que esses animais sejam grandes aliados dos deficientes visuais, estima-se que existam pouco mais de 100 cães-guia por aqui. “Todas as pessoas que querem e precisam deveriam poder ter um cão-guia, deveria ser um direito básico”, finaliza.

     

    Dois anos de treinamento

    A criação de um cão-guia é lenta. Leva, em média, dois anos, requer cuidados especiais e só pode ser feita por profissionais especializados. O treinamento do cão passa por quatro etapas até o acompanhamento definitivo.

    Em seu primeiro ano de vida, o filhote é conduzido pelo treinador ou por uma família voluntária, que cuida do animal. Durante o adestramento, o cão começa a conviver em ambiente social e recebe os comandos básicos para convívio.

     

    Liberdade para viajar

    Mellina Reis utiliza cão-guia há oito anos e enfatiza: a labradora Hilary transformou sua vida.  “A Hilary chegou para mim em março de 2014. Foi um projeto do Sesi, em parceria com o Instituto Iris. Esse programa contemplou nove usuários e, infelizmente, não existe mais.  A adaptação inicial não foi fácil. Nós ficamos duas semanas no hotel, e o treinamento continuou depois, em casa. Na época, eu ainda enxergava um pouquinho mais do que hoje. Então, tive dificuldade de confiar no cão.”

    Ela afirma que precisou se adaptar a uma nova vida, em ter outro ser ali, com suas necessidades. “Com o tempo, nossa convivência  melhorou, e a ligação que temos é muito forte. A Hilary me trouxe muito mais independência,  autonomia e autoconfiança. Viajo sozinha com ela, tranquilamente”, afirma.

    Com informações da Secretaria Especial de Comunicação da Prefeitura de São Paulo

  • Back to top